domingo, 28 de julho de 2013

A raposa e a Faixa





JB não está preparado para ser presidente nem de sua empresa fantasma


PAULO NOGUEIRA 28 DE JULHO DE 2013




Numa entrevista ao Globo, Joaquim Barbosa consegue dizer que o Brasil não está preparado para um negro na presidência.

E então Joaquim Barbosa diz, ao amigo Globo, que o Brasil não está preparado para um presidente negro.
O certo é: Joaquim Barbosa não está preparado para ser presidente.
Quanto mais fala, mais JB revela não ter noção das coisas.
Diz, num tom que denota orgulho, ter “amigos fraternais” entre os jornalistas. Isto é uma aberração ética, um caso de torrencial conflito de interesses, e ele simplesmente não se dá conta disso.
O autor da entrevista é Míriam Leitão. Os jovens jornalistas devem ler atenciosamente para ver como não se entrevista alguém.
Míriam é dócil, cúmplice, superficial, tola e desinformada; enfim, tem todos os defeitos que um entrevistador poderia ter. Combativa ela é com as pessoas que se colocam no caminho da família Marinho, pôde se ver.
A entrevista publicada pelo Globo – a quem JB deu carona num avião da FAB numa boca livre na Costa Rica – coincide com uma fala de extraordinária relevância do presidente da Associação dos Juízes Federais, Nino Toldo.
Toldo disse que JB é um “fora da lei” por causa da nebulosa compra de um imóvel em Miami, para a qual ele inventou uma empresa de fachada com a finalidade de sonegar impostos.
Toldo defendeu uma “apuração rigorosa” da operação, que foi revelada pela Folha.
Para o Globo, JB disse que o “imóvel é modesto” – talvez pelos padrões dos Marinhos, seus amigos. E acusou a Folha de discriminá-lo.
Ora, nenhuma explicação foi fornecida sobre a compra suspeita – e, verdade, nem lhe foi cobrada pelo dócil Globo.
Jogada no meio da entrevista você tem a informação de que JB – o homem que levou 7,5 anos para fazer um curso de 5 e mais 4 ou 5 para fazer um doutorado de 3 na França – levou bomba no Itamaraty.
Mas a culpa da bomba, naturalmente, não foi dele. Foi do Itamaraty, que o sacaneou na prova oral.
Pausa para rir.
O Itamaraty já se manifestou. Falou do incentivo a afrodescendentes, e se JB não foi um dos objetos do incentivo você pode avaliar seu desempenho nas provas.
Sem querer, o Globo revela uma alma complexada e vingativa.
Todos os diplomatas do Itamaraty, segundo o reprovado, gostariam de estar no seu lugar.
Verdade?
Ora, um magistrad0 que vai passar para a história como uma calamidade nacional, como o maior erro de Lula, como um “fora da lei” – será que tanta gente assim gostaria de estar em seu lugar?
Na verdade, JB não está preparado para ser presidente de nada. Nem do STF e nem da empresa fantasma que ele montou em Miami para fugir abjetamente de impostos.



quinta-feira, 25 de julho de 2013

" Los Intocables "


Los Intocables: Ensaio fotográfico denuncia diferentes tipos de abusos ao direito à infância


Erik Ravelo é um fotógrafo cubano que teve como objetivo nesse ensaio lutar pelos direitos das crianças, desde o combate à obesidade infantil até as denúncias de pedofilia dentro da igreja católica. Nas imagens, o fotógrafo cubano “crucifica” visualmente as crianças, mostrando os diferentes tipos de abusos pelo mundo, como zonas de guerra, consumismo excessivo, assassinatos em escolas, pedofilia, entre outros absurdos. É assim que esse ensaio tenta de alguma forma denunciar os casos que ferem o direito de crianças terem uma infância saudável.
Em tradução livre, a campanha tem como título “Os intocáveis: o direito à infância deve ser protegido”.
Além de geniais, as fotos chocam pela alusão que fazem a crucificação e pelos símbolos que são representados em algumas delas. O caso da igreja provavelmente é o que mais gera controvérsia e tenta ser abafado, já que é algo mais direto a infância, por ser exatamente casos de pedofilia. O Mc Donald’s é algo que choca de outra maneira, já que o MC tenta de toda forma fazer sua propaganda para que o consumo aumente, o que acaba por deixar as consequências desse consumo em segundo plano, ofuscadas pelo brilho dos brinquedos no Mc Lanche feliz, ou assim como toda propaganda. O tráfico de crianças para retirada e venda de órgãos também é um aspecto que choca pelo simples fato das fotografias lembrarem que isso ocorre… e ocorre muito.
As representações de disputas territoriais e de guerra num todo, acabam apresentando que nessas questões, existem outros sujeitos além dos estados. As crianças são sujeitos também, que direta ou indiretamente têm suas vidas ofuscadas e transformadas pela guerra – desde pais e amigos mortos até ferimentos, mutilações, destruição de suas casas, estupros e inclusive a morte delas.
O mais incrível destas fotos é que elas funcionam como uma espécie de tapa na cara, já que muitas vezes nós apenas damos conta do mundo e dos problemas que estão fora da nossa zona de conforto quando alguém esfrega esses problemas na nossa cara. (via Causas Perdidas)










Erik Ravelo (tumblr)   imagens

Maria da Penha nele !






quarta-feira, 17 de julho de 2013

" A História de um Mega Escândalo " - HQ

BOMBA! O CRIME DA BAIXADA. AGORA, EM QUADRINHOS !

Mostra o DARF! Agora, a caminho de Hollywood


Conversa Afiada encomendou a seu Departamento de Design Gráfico uma versão romanceada da fábula do crime na Baixada fluminense. 

O Chefe do Departamento, o austro-húngaro Hans Bonner ofereceu a versão que se segue.










domingo, 14 de julho de 2013

sábado, 13 de julho de 2013

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Humor francês











Despejado tonéis de esterco na RBS: “Estamos devolvendo o que vocês nos mostram todos os dias”





Manifestantes fazem escracho em frente à sede da RBS

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Iuri Müller
Em meio às manifestações da greve geral em Porto Alegre, um dos atos desta quinta-feira (11) ocorreu – no formato de um escracho – em frente à sede do Grupo RBS, na Avenida Érico Veríssimo. Os manifestantes repudiaram a atuação dos veículos do grupo e protestaram a favor da democratização dos meios de comunicação no Brasil. Com cartazes, faixas e bandeiras, permaneceram por pouco menos de duas horas em frente ao local – e terminaram a ação despejando tonéis de esterco na entrada do prédio. “Estamos devolvendo o que vocês nos mostram todos os dias”, foi uma das declarações no megafone.
A partir das 14h30min, sob sol forte, militantes do Levante Popular da Juventude deram início ao protesto, com músicas na bateria e o desenrolar dos primeiros cartazes. Pouco tempo depois, manifestantes de centrais sindicais e da juventude de partidos políticos se juntaram ao ato – eles marchavam da Rótula do Papa, na Azenha, em direção ao Largo Glênio Peres, destino de todo o grupo após a manifestação em frente ao Grupo RBS.
Ao todo, a ação chegou a reunir mais de trezentas pessoas, além de bandeiras de organizações como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a juventude de partidos como o PT e o PCdoB. Durante a tarde, gritaram pelo fim do monopólio no contexto dos meios de comunicação e contra a criminalização dos movimentos sociais.
No mês de junho, a sede do Grupo RBS foi o destino pretendido por pelo menos duas marchas organizadas pelo Bloco de Lutas pelo Transporte Público. No entanto, a caminhada foi interrompida pela Brigada Militar, que trancou a Avenida Ipiranga nas proximidades da sede do jornal Zero Hora. Nesta quinta-feira (11), o aparato policial novamente esteve presente em grande número, mas não entrou em contato direto com os manifestantes.
A reportagem do Sul21 contou pelo menos seis viaturas, cinco ônibus e seis motos da Brigada Militar estacionadas nas ruas próximas ao local do escracho. Antes das 15h30min, os manifestantes despejaram os tonéis de esterco nos portões do Grupo RBS, para então prosseguir com a marcha pela Avenida Érico Veríssimo.
Veja mais fotos da manifestação realizada nesta quinta-feira:
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21


Espionagem da CIA, FBI, DEA, NSA...e o silêncio na mídia








sábado, 6 de julho de 2013

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Hei-ei-ei, Barbosa é nosso rei !


O ultrachavismo sem voto da Rede Globo


por Miguel do Rosário - 05/07/2013


O presidente do Supremo Tribunal Federal, o ídolo dos coxinhas, Joaquim Barbosa,  é hoje o principal trunfo político da Rede da Globo. Ancelmo Gois incensa-o regularmente desde que ele tomou as dianteiras da Ação Penal 470. Outro colunista, Roberto Damatta não apenas afirmou que votaria sem pestanejar nele, como achava que Barbosa levaria fácil no primeiro turno. Merval Pereira e ele estão sempre se telefonando, e o colunista publica a conversa no dia seguinte sem escrúpulos de chapa-branquismo. O ex-presidente do STF anterior, Ayres Brito, escreveu o prefácio do livro de Merval enquanto ainda tocava o julgamento do mensalão.  É uma falta de vergonha inacreditável.




Aí ficamos sabendo que Barbosa pagou as passagens de avião, com dinheiro público, para uma repórter da Globo lhe acompanhar à Costa Rica. Coisas de político da pior laia. Logo descobrimos que Barbosa pagou as passagens de avião para assistir o jogo do Brasil e Inglaterra, no Rio, com dinheiro público, e que ficou no camarote de um apresentador da Globo, Luciano Huck. E que seu filho está trabalhando na Globo, com Luciano Huck, figura que o PSDB andou sondando para ser seu candidato ao governo do Rio.
É incrível o poder da Globo de cercar os ministros do STF. Cercam-nos midiaticamente, incensando-os, arrumando-lhes camarotes de luxo, descolando empregos para seus filhos. É como se vivêssemos um ultrachavismo de direita e sem voto, comandado pela Rede Globo, que pode tudo. Pode fraudar o fisco em quase 2 bilhões de reais, e ainda sim receber dezenas de bilhões de reais em publicidade pública. O Ministério Público só investiga quem a Globo decide que tem de ser investigado. Os juízes só condenam quem a Globo decide que deve ser condenado.
Vide o caso recente do jornalista Paulo Henrique Amorim. É ridículo que seja condenado com tal severidade por uma frase infeliz: mas como foi contra um jornalista da Globo, então vale tudo. O que o Paulo fez mereceria apenas retratação verbal no próprio site, se o juiz assim decidisse, mas querer prender na cadeia um blogueiro porque se deu uma interpretação racista à sua frase? Aí é demais. Aí é manipular a ditadura do politicamente corrento para beneficiar o mais poderoso. Afinal, o que significa tanta perseguição a PHA? Não é mais uma tentativa de censura, via sufocamento judiciário e financeiro?
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A malandragem cabotina de Ilimar Franco

Ilimar Franco é o colunista melhorzinho do Globo, mas é do Globo e tem de comer na mão de seus patrões. Não pode dar opinião, porque é “meio de esquerda”. Só quem pode opinar é Merval Pereira, o pitbull fiel e disciplinado dos Marinho. Hoje Ilimar tenta fazer uma incursãozinha no trabalho sujo, provavelmente querendo se blindar.
Veja essa notinha, publicada em sua coluna de hoje:

‘Queromeu’- Petistas, na reunião da Executiva, criticaram a comunicação do governo por desprezar as redes sociais. O eufemismo é usado por quem defende que o governo Dilma dê dinheiro público para páginas na internet não noticiosas e de baixa audiência, que são alinhadas com o petismo.

A notinha, além de arrogante, é malandramente cabotina, porque o objetivo dela é pressionar o governo a continuar dando dinheiro pra Globo. Só que a Globo não tem página “noticiosa”. Tem uma central de produção de lixo. Deveria receber, talvez, alguma verba do Ministério do Meio Ambiente, para reciclagem e descontaminação. E as páginas “noticiosas-lixo” da Globo são alinhadas à direita golpista. Sonega informações descaradamente. Mente. Protege a corrupção de seus aliados. Cadê a investigação jornalística na grande mídia sobre a privataria tucana? Cadê a investigação sobre as fraudes fiscais da Globo? Cadê a investigação sobre as relações de Veja com a máfia de Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres.
Um governo que trabalha pela desconcentração da renda não pode, esquizofrenicamente, fomentar a concentração da mídia. Não pode matar a fome do povo, e esquecer de seu espírito. Mídia também é cultura, saúde e educação, porque através da mídia se pode transmitir valores, cuidados com a saúde e informação acadêmica e profissional.
Eles construíram sua audiência em meios aos anos de chumbo, quando o governo (a ditadura) era seu aliado, e com ajuda dele, e dos Estados Unidos, esmagaram seus concorrentes, tornaram-se uma potência financeira e estabeleceram um monopólio. Tudo sempre regados a empréstimos bilionários, leis favoráveis no congresso, e uso de paraísos fiscais.
Os platinados estão morrendo de medo de perder a boquinha do governo, que lhes rende mais de um terço de sua renda anual. O Cafezinho, que jamais recebeu um centavo do Estado, acha o seguinte: se estamos vivos até aqui, continuaremos vivos, mas defendo que o governo não dê mais dinheiro pra ninguém. Queremos que os bilhões da Secom sejam transferidos diretamente para investimentos em educação. O governo anunciaria suas ações através de uma lei que obrigaria toda concessão pública a veicular de graça publicidade de utilidade social. Pronto, acabaria a mamata.  Eu ficaria tranquilo.
Melhor ainda, o governo poderia criar um sistema randômico, para os anúncios serem veiculados em qualquer site brasileiro, mas com um teto máximo, para que os tubarões não ficassem com tudo e estimular os pequenos e médios.
Para cúmulo da incompetência política, a Secom tem usado o Ad Sense do Google para anunciar na web, ferramenta que deixa 75% dos recursos públicos em mãos de uma empresa estrangeira, mais 20% nas mãos de agências, e somente 5% nas dos verdadeiros produtores de conteúdo.
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A nossa sorte é que até agora nenhum Marinho tem gosto pela política, senão já tínhamos criado nosso Berlusconi, e seria muito pior do que o original italiano. Por isso é tão perigoso a direita voltar ao poder. Ela já tem o controle da mídia privada. No governo, terá também o da mídia pública.
E o pior é que o que pode acontecer se a Dilma continuar fazendo de tudo para perder as eleições, como tem feito.




TROPA DE NHOQUE !




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TROPA  DE  NHOQUE !

Enquanto nos tratam com bombas, retribuímos com bom humor... 





Toga egipto-brazileira






BARBOSA: FILHO NA GLOBO E VIAGENS PAGAS PELO STF

247 - O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, tem um filho, Felipe Barbosa, que acaba de ser contratado pela Rede Globo. É o que informa a jornalista Keila Jimenez, da coluna Outro Canal, da Folha. Leia abaixo:

Reforço O mais novo contratado da produção do "Caldeirão do Huck" (Globo) é Felipe Barbosa, filho do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa.

Reforço 2 A Globo e fontes na produção da atração negaram para a coluna a recente contratação do rapaz. Disseram que ele foi apenas fazer uma visita ao Projac, no Rio.

Reforço 3 Mais tarde, a emissora confirmou que Felipe fora mesmo contratado para um trabalho de pesquisa temporário no programa de Luciano Huck. O jovem é formado em comunicação social.

Talvez para comemorar a contratação, Barbosa e Felipe tenham ido juntos a um jogo da seleção brasileira, no camarote de Huck e Angélica. Barbosa viajou com as despesas pagas pelo STF.




Viagem de Barbosa ao Rio, bancada pelo STF:

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, teve as despesas de sua viagem para assistir ao jogo Brasil e Inglaterra no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, no dia 2 de junho, pagas pela Corte.
Os voos de ida e de volta foram feitos em aviões de carreira. O STF alega que a viagem foi paga com a cota que os ministros têm direito.
Segundo informações do Estadão, na agenda do ministro não havia nenhum compromisso oficial no Rio de Janeiro durante o final de semana do jogo no Maracanã.
Ele assistiu à partida ao lado do filho Felipe no camarote do casal de apresentadores da TV Globo Luciano Huck e Angélica.
Reportagem do jornal O Estado de S.Paulo publicada no dia 20 de maio revela, com base nos dados que estavam publicados no site do STF, conforme determina a Lei de Acesso à Informação, que em quatro anos (de 2009 a 2012), o total de recursos públicos gasto em passagens pelos ministros e suas esposas foi de R$ 2,2 milhões, sendo que R$ 1,5 milhão foi usado em viagens internacionais. No período, foram destinados R$ 608 mil para as mulheres de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski - ainda na corte -, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso e Eros Grau - já aposentados.
Cotado como presidenciável, Barbosa não tem demonstrado, em sua vida pessoal, o mesmo rigor que cobra dos outros. Recentemente, soube-se que a reforma do banheiro do seu apartamento funcional, em Brasília, custou mais de R$ 90 mil (leia aqui).





Dr. Barbosa não dominou muito bem o fato

5 de Jul de 2013 | 11:17

O Ministro Joaquim Barbosa não pode ser crucificado antes que tenha o direito de explicar as informações – que explodiram na rede, mas não nos jornais impressos, hoje.
Sua Excelência talvez não tivesse o domínio do fato, ou das consequências do fato, de usar uma passagem paga com o dinheiro público para um final de semana no Rio. Talvez isso seja legal, afinal de contas.
Igualmente, o Dr. Barbosa pode não ter se dado conta de que assistir o jogo no camarote dos globais Luciano Huck e Angélica -será que era pessoal ou da emissora? – possa ser compreendido como uma intimidade pouco recomendável ao presidente de um Poder da República, ainda mais quando este dá lições – justas – de austeridade a torto e a direito.
O argumento de que seu filho é contratado de Huck é pequeno, perto disso. E aliás, o Dr. Barbosa é habitué do camarote, no qual já assistiu ao amistoso Brasil e Inglaterra, na reabertura do Maracanã, como você vê na foto do UOL.
Afinal, o Dr. Barbosa não é chegado a mordomias, com toda a razão, não é?
Sobretudo, talvez o Dr. Barbosa não tenha previsto que ele próprio pudesse ser vítima de uma acusação lançada assim ao país, como fato indominável, sem direito de uma explicação ou análise ponderada.
Ou que não creia na famosa cítara jurídica de que a honra é como um baú de penas que, aberto ao vento, não há como reparar.
Ou daquela outra, sobre a mulher de César.

A Globo e Joaquim Barbosa são um caso indefensável de conflito de interesses

PAULO NOGUEIRA - O5.JULHO.2013



Com seu filho empregado na Globo, JB fica moralmente impedido de julgar coisas relativas à Globo.

charge Lili
Não há outra explicação.
Como pode a Globo dar emprego ao filho de JB? E como JB pode deixar que isso ocorra?
Neste exato momento, a Globo enfrenta uma questão multimilionária na Receita Federal. Documentos vazados – demorou para que isso ocorresse – por alguém da Receita contaram uma história escabrosa.
Os documentos revelam, usemos a palavra certa, uma trapaça. Com o uso de um paraíso fiscal, a Globo fingiu que estava fazendo uma coisa quando comprava os direitos de transmissão da Copa de 2002.
A Globo admitiu a multa que recebeu da Receita. E em nota alegou ter quitado a dívida.
Mas a fonte da Receita disse que não é verdade. E pelo blog O Cafezinho, que trouxe o escândalo, desafiou a Globo a mostrar o recibo.
Apenas para constar.
O dinheiro que a Globo não recolheu constrói escolas, hospitais, portos, aeroportos etc etc.
Mas, não pago, ele termina na conta dos acionistas.
Foi, além do mais, usado um paraíso fiscal, coisa que está dando prisão na Europa hoje em dia.
Isto tudo posto, vamos supor que uma questão dessas termine no STF.
Qual a isenção de JB para julgar?
É uma empresa amiga: emprega o filho dele.
Dá para julgar?
E a sociedade, como fica?
Gosto de citar um dos maiores jornalistas da história, Joe Pulitzer. Às equipes que chefiei, citava exaustivamente uma frase que é vital para o exercício do bom jornalismo.
“Jornalista não tem amigo”, escreveu Pulitzer.
O que Pulitzer dizia: se você tem amigos, você não vai tratá-los com a neutralidade devida como repórter ou editor.
A Globo está cheia de amigos, e esta é uma das razões pelas quais seu jornalismo é tão viciado – e seus donos tão ricos.
Mas as amizades de JB são ainda mais preocupantes, dado o cargo que ele ocupa.
A Justiça brasileira é um problema dramático.  Recentemente, os brasileiros souberam das estreitas relações entre o ministro Fux, também do Supremo, e um dos maiores escritórios de advocacia do Rio.
Sua filha, advogada, é empregada deste escritório. Como Fux pode julgar uma causa deste escritório?
Não pode.
Há um claro conflito de interesses.
O mesmo vale para Joaquim Barbosa.
Quem acredita que ele não enxergou o conflito de interesses no emprego dado a seu filho na Globo acredita em tudo.
É um caso tão indefensável que a Globo, inicialmente, negou a informação, obtida pela jornalista Keila Jimenez, da Folha. Procurada, a Globo, diz a Folha, negou a contratação. Disse que o filho de JB fora “apenas fazer uma visita ao Projac.
Só depois admitiu.
É uma história particularmente revoltante quando se lembra a severidade com que JB comandou o julgamento do Mensalão.
Ele fez pose de Catão com suas catilinárias anticorrupção, e impressionou muitos brasileiros que podem ser catalogados na faixa dos inocentes úteis.
Mas se fosse Catão não permitiria que seu filho trabalhasse na Globo. Não pagaria – como revelou o Diário – com dinheiro público a viagem de uma jornalista do Globo para uma viagem de completa irrelevância para a Costa Rica, apenas para obter cobertura positiva do jornal.
Não usaria, como se soube agora, recursos públicos para ver um jogo do Brasil num camarote de apresentadores – claro – da Globo.
E provavelmente Catão também jamais gastasse o equivalente a 90 000 reais, em dinheiro do contribuinte, para uma reforma.
Joaquim Barbosa não tem autoridade moral para ocupar o cargo que ocupa:  infelizmente os fatos são claros.
Ele é um drama, uma calamidade nacional.
Sêneca dizia que era mais fácil começar uma coisa errada do que depois resolvê-la.
A nomeação de JB por Lula – que procurava um juiz negro para o Supremo — foi um erro monumental.
Resolvê-lo agora é uma enorme, uma trágica dificuldade.